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Uncharted e seus mundos não cartografados

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Uncharted e seus mundos não cartografados

Mensagem por Convidado em Sab 22 Set 2012, 23:18

Provavelmente você já ouviu falar de pelo menos Atlântida, a lendária ilha que foi pela primeira vez comentada por Platão, um dos maiores filósofos que já viveram. E é de senso comum que, se um dia Atlântida existiu, ela afundou no oceano. E em um único dia.

Ninguém nunca viu Atlântida. Ou El Dorado, Shambhala e a Atlântida das Areias. Mas Nathan Drake nos deixou ver e interagir com uma recriação digital das três em suas aventuras na série Uncharted, com muita riqueza de detalhes e com vários takes cinematográficos, sempre dando ênfase à beleza lendária das cidades.

Drake’s Fortune e O Homem Dourado

El Dorado é o nome de um chefe tribal Muisca que teria se coberto em poeira de ouro e mergulhado em um lago de terras altas, como ritual. Depois disso, o nome se tornou uma referência para algum lugar mitológico e desconhecido, onde um rei de ouro governaria.

A cidade fascina desde as viagens dos espanhóis para a Conquista da América, chegando ao ápice dos exploradores Francisco Orellana e Gonzalo Pizarro partirem de Quito, no Equador, em 1541 em uma viagem pelo Rio Amazonas, procurando a tão sonhada cidade do ouro.

Obviamente foi um desastre, mas outros exploradores até mesmo foram mais longe e um deles, Sir Walter Raleigh, em 1595, descreveu El Dorado como uma cidade às margens de um lago chamado Parime, na Guiana. E o senhor Raleigh foi tão eloquente em sua versão da cidade que o tal lago foi impresso em mapas até o início do século XVIII! Sua inexistência foi provada por Alexander von Humboldt durante sua expedição (1799 – 1804).

Em Uncharted: Drake’s Fortune, El Dorado se transformou não em uma cidade, mas sim em um sarcófago de puro ouro e jóias, que possuía uma terrível maldição. Atiçado pelo diário de Francis Drake e também por sua sede de ladrão, Nathan Drake parte em busca de El Dorado, acreditando ser realmente uma cidade perdida. O jogo leva então o jogador a diversas belas paisagens por cenários da América do Sul, até chegar a um templo amazônico onde o sarcófago se encontrava.

Apesar de El Dorado não ser uma localização, o jogo ainda apresenta as noções de paraíso e cidade perdidos, com muitas ruínas com vegetação invadindo, tudo em um solo cheio de mistérios, que é o do coração da América do Sul, nas proximidades da Floresta Amazônica.

Among Thieves e a cidade esotérica

Shambhala não é lá um nome muito conhecido. Talvez você se lembre de Shangri-La, que certamente ouviu esse termo em alguma época de sua vida. O negócio é que Shangri-La é um lugar fictício, harmonioso e místico citado pela primeira vez em Lost Horizon, uma novela escrita por James Hilton. A inspiração para escrever sobre a cidade veio de Shambhala.

Os budistas tibetanos acreditam que Shambhala seja um reino místico escondido em algum lugar da cordilheira do Himalaia. A cidade seria um “lugar de paz, felicidade e tranquilidade”, que é o que Shambhala significa em sânscrito. E para os budistas, hinduístas e taoístas, a cidade seria a capital de outro reino místico ainda maior: Agartha (que você pode conferir em Castlevania Lords of Shadow), que é constituída por oito cidades místicas.

Segundo a crença, Shambhala só podia ser vista por homens com um karma bom, sendo este o significado manifesto da cidade. O caráter oculto dela é de que não seria um local terreno, com acesso geográfico, mas sim um lugar interior, de caráter moral e mental, ou, ainda, um estado de iluminação a que toda pessoa deva inspirar alcançar.

Mas ainda em relação à aparência de Shambhala, segundo o Kalachakra (tempo-ciclo, em sânscrito) budista, esta mudaria conforme o estado de espírito do observador, como escrito por Andrew Tomas em Shambhala – A misteriosa civilização tibetana: “por exemplo, certa ribeira, pura e simplesmente a mesma, pode ser vista pelos deuses como um rio de néctar, como um rio de água pelos homens, como uma mistura de pus e sangue pelos fantasmas esfomeados, e por outras criaturas como um elemento no qual se vive”.

Sua misticidade foi tão difundida que até mesmo ocultistas ligados aos nazistas se interessaram por ela, mas como fonte de poder. E é nessa linha que entra Uncharted: Among Thieves, a segunda aventura de Nathan Drake.

No jogo, Nathan está trabalhando com uma perigosa equipe que está em busca de uma pedra misteriosa chamada Cintamani Stone, que traria poderes enormes a quem a possuísse. Isso causa enorme desastre durante sua busca, até que Nathan descobre a belíssima cidade de Shambhala, onde estaria a pedra.

Diferente de ser um lugar de paz e tranquilidade, governado por um rei bondoso, o que se descobre é uma gigantesca cidade com inúmeros monumentos e edifícios tomados pela natureza, com guardiões extremamente fortes e poderosos que procuram proteger a cidade a qualquer custo. Talvez algum dia ali essa cidade já tenha sido da forma como os escritos budistas e hindus contam.

Drake’s Deception e a cidade na tempestade de areia

De todas, Iram of the Pillars (Irão dos Pilares) talvez seja a mais desconhecida. Também chamada de Atlantis of the Sands (Atlântida das Areias) e Ubar, a cidade foi descrita pela primeira vez há mais de 1400 anos, pelo famoso livro sagrado do Islão Alcorão.

Segundo as crenças islâmicas, o Rei Shaddad de Ubar não acreditou nos avisos do profeta Hud e Deus destruiu a cidade, enchendo-a de areia, para nunca mais ser vista. Acredita-se que as ruínas da cidade ficaram soterradas em algum lugar do deserto de Rub’ al-Khali, na península arábica. A difusão no ocidente de Iram of the Pillars foi principalmente com a tradução do Livro das Mil-e-uma Noites, um dos épicos mais conhecidos da literatura árabe.

Durante algum tempo, acreditou-se ter encontrado a cidade através de escavações feitas pela NASA em um local de poço dos beduínos em Shisr, no Omã, realizadas no início de 1990. Em 1996, outro grupo de pesquisadores desmentiram o feito e disseram que talvez Ubar fosse a atual Habarut, uma cidade do Iémen.

Foi somente em 2002 que um geólogo concluiu que o local escavado pela NASA não era Iram of the Pillars, mas sim somente um oásis e que a possível ruína de forte encontrada era somente uma construção pequena utilizada por poucas famílias.

Em Uncharted 3: Drake’s Deception, Nathan Drake vai atrás da cidade mais uma vez baseado no diário de Sir Francis Drake. Envolvido em uma trama de crimes maior do que ele, através de uma sociedade secreta, Nathan acaba até mesmo se perdendo e vagando pelo deserto, até encontrar uma trupe de beduínos do deserto e, posteriormente, encontrar Ubar, uma cidade gigantesca, com muitas construções e com sistema de irrigação bastante moderno, o que teria possibilitado a vida no lugar, segundo observado pelo próprio Nathan.

As aventuras de Nathan Drake conseguem nos levar a lugares fantásticos e extremamente bem construídos. Vale a pena jogar e chegar ao final pelo menos para observar estes mundos jamais vistos por ninguém, mas que habitam o imaginário de muita gente há muito tempo.


Fonte: http://jogadorpensante.com/2012/07/28/consciencia-gamer-uncharted-e-seus-mundos-nao-cartografados/

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