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Sem munição

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Sem munição

Mensagem por VitorP1 em Sab 30 Mar 2013, 05:17

Essa minha historinha de fim de mundo, ou seria pós fim de mundo. Enfim, o prólogo é bem pequeno, é só a introdução mesmo, espero que gostem.Enquanto isso pensarei no "verdadeiro" primeiro capítulo.
prólogo-piloto
E lá estamos. Eu e Kenny, lutando por nossas vidas mais uma vez. Explosões, tiros, e principalmente, morte. Quando você está acostumado com ela, a morte não se torna um monstro, um demônio esperando pelo momento certo de te levar. Mas sim se torna sua companheira, te protegendo e não te ameaçando.
Talvez seja porque você já esteja morto. Afinal, a morte não vai atrás de esqueletos.
Um tiro passou perto de mim. Eu ouvi claramente o barulho, então o zunido. Por um tempo não conseguia ouvir a voz do meu companheiro de cova, Kenny. Eu o via gritar, mas não ouvia nenhuma palavra que dizia. Então o zunido passou e retornei a ouvir aos xingamentos de Kenny. Ele estava nervoso, e eu nervosamente calmo.
Fazíamos isso o tempo todo. Sair, pegar suprimentos, voltar. Sem problemas. Às vezes eles nos descobriam, mas sempre conseguimos sair da situação. Não desta vez. Desta vez era diferente. Desta vez eles estavam em alerta, desta vez provavelmente não sairíamos de lá vivos. Mas a companheira do manto escuro não iria dar o beijo misericordioso hoje. Não hoje. Por quê? Não sei, mas não hoje.
Comecei a atirar e atirar cegamente, não podia arriscar levantar a cabeça. Os tiros pareciam deixar eles longe. “Eles” pareciam estar recuando. Era nossa chance.
-JOGA A GRANADA! – gritei
- O QUÊ?
-JOGA A DROGA DA GRANADA!
E ele jogou. A explosão criou estilhaços, a parede que estávamos usando de proteção nos protegeu dos maiores, mas um pequeno, fino, entrou na minha perna. Infelizmente comecei a correr, já que tínhamos que sair daquela situação. E a dor, continuando, ficando mais e mais forte. A visão estava ficando embaçada. Meu deus, eu iria cair ali, no meio do tiroteio.
Mas a morte não desistiu de mim. Ela me segurou e me arrastou. Esse seria Kenny, mas a morte deu uma força, eu sei.
Saímos de lá. Levamos poucos suprimentos e gastamos muita munição, inclusive uma granada. Será que aquilo valeu a pena?
capítulo 1:
Spoiler:
Sem Munição EP1
- QUE DOR!!!!
- O que quer que eu faça? Não podemos gastar morfina em algo tão pequeno.
-AHHHHH
-Já está saindo. Para de ser mulherzinha. Caramba, eu sou mais macho que você!
Só ela mesmo para me animar numa hora dessas. Karen, a médica. Seu cabelo negro, olhos verdes, rosto delicado, mas com um ar incrivelmente sério. Ainda sim, conseguia fazer piadas quase que em todos os momentos. Era até irritante, na verdade. Principalmente em momentos como esse, onde estou morrendo de dor.
-Viu só? Já saiu, nem doeu nem nada.
-Isso porque não foi sua perna!
-Foi apenas um pequeno estilhaço, um chute no saco dói mais.
-Como você saberia?- retruquei
-Acredite, eu sei.
Talvez ela soubesse. Passou por tanto nessa vida, viu quase tudo que alguém poderia ver. A cidade de Nova York, onde estamos no momento, era nada além de um ponto na lista de lugares para visitar na sua agendinha. É claro, depois de Paris, Tokyo... Prioridades primeiro, certo?
-Pode sair saltitando, como você sempre faz.
-Não com essa perna.
-Tá bom então princesa, quer um chá também enquanto fica deitada ai?
-Tudo bem, tudo bem, vou sair para dar espaço para a próxima pobre alma que vier aqui ser atendida por você.
Saí da pequena sala, com equipamentos de terceira qualidade, cheiro mal e apenas duas camas, nada mais. Deveria ser difícil trabalhar num lugar como esse, mas Karen fazia milagres.
-Como foi?-perguntou Kenny.
-Normal- respondi – Karen deveria ser açougueira em vez de médica.
-Nisso concordamos. Agora vem, o chefe quer nos ver.
Houser era um general durão, tinha sua própria base no deserto e tudo mais. Foi recrutado para trabalhar na evacuação da cidade de Nova York. As coisas não deram certo e agora ele está preso aqui, com a gente. Ele era um bom líder, apesar que muitas pessoas discordavam de suas escolhas. Eram tempos difíceis, e ele fazia decisões difíceis. Pelo menos era essa minha opinião. Muitos, é claro, discordavam. Jason principalmente, ele achava que Houser apenas tinha medo de avançar, que deveríamos fazer coisas diferentes. Mas como um bom soldado, Jason seguia as ordens de Houser, mesmo com uma cara feia.
Entramos no escritório. Houser está sentado enquanto um guarda-costas gigantesco com uma AK-47 fica em seu lado.
-O que aconteceu? –Ele pergunta, com sua voz calma e grossa. A idade era visível, as rugas tomavam conta do seu rosto e sua barriga de chopp era evidente. Seu cabelo era loiro e seus olhos azuis, um dia no passado deve ter sido um homem bonito.
-Fomos cercados- diz Kenny.
-Eles devem ter ouvido nosso barulho. - Completei.
-Deveriam ter sido silenciosos.
-Não era possível Houser, o lugar criava um eco dos infernos, mesmo se fossemos silenciosos como um ninja eles ainda iriam ouvir.
-Olha Paul eu te respeito, você salvou minha vida tempos atrás, mas isso não deveria ter acontecido. Você foi desleixado, perdemos munição e um granada por causa disso, além que vocês dois poderiam ter morrido!
-Não irá acontecer de novo.
-Espero que não. Agora saiam, tenho coisas mais importantes a fazer.
E assim fizemos. Respeitosamente, com as cabeças abaixadas, saímos.
-Acredita nesse cara? –Perguntou Kenny.
-Houser é um grande homem, respeite ele.
-Tudo bem, não precisa ficar nervoso.
-Não estou nervoso é que... passamos muita coisa junto.
Fomos ao pátio. O lugar era uma escola no subúrbio da “grande maçã”, um lugar onde riquinhos colocavam seus filhos para estudar. Era enorme, mas naqueles tempos era só uma sombra do que costumava ser. Suja, caindo aos pedaços, sem manutenção o lugar estava apodrecendo. Outra crítica à Houser. Os cidadãos acreditavam que o lugar precisava ser melhor cuidado, mas Houser tinha coisas mais importantes a fazer, como procurar comida.
No pátio haviam várias cadeiras e mesas, onde o pessoal se juntava para comer. Chegamos tarde no dia, já que tivemos que conversar com Houser. A comida já estava acabando, mas conseguimos um restinho. Arroz e feijão, da pior qualidade. Ainda que naquele dia era comida fresca, geralmente comíamos até ficar podre, já que comida é algo importante e não podemos mais esnobar.
Foi uma refeição agradável, quem diria. Kenny parecia tenso, talvez por causa da última noite. Com certeza foi uma situação tensa. Mas ainda sim, não parecia motivo de tanta preocupação. Talvez Kenny estivesse ficando louco, afinal. Todos sabíamos que em um tempo como esses, pessoas não costumavam ficar na melhor... paz de espírito.
-Ainda com seus planos loucos? –Ele pergunta
-Sim.
-Eles se foram cara. Todo mundo aqui perderam seus entes queridos- Kenny responde. Ele sabe que não irei desistir, mas continua tentando.
-Me desculpa, mas não irei parar de procurar por eles, os malditos estão com minha mulher e filho, e eu irei salvá-los.
Continua.
capítulo 2
Spoiler:
-ATIRA!!ATIRA!!ATIRA!!
-TÔ SEM MUNIÇÃO!
“Tá de brincadeira” pensei. Estávamos cercados por aqueles “lagartos”. “Eles”, os lagartos, chegaram em nosso planeta e começaram a destruir tudo que viam, mas por algum motivo, não matavam todos. Os indefesos eram levados para alguma de suas naves. Por quê? Não sei. O fato que mais me surpreendeu quando os vi, era que sua tecnologia não era tão avançada quanto a nossa. Caramba, usavam as mesmas armas! Os filhos da p*ta procuravam nos corpos de meus companheiros munição e qualquer coisa útil. Sem remorso, faziam o mesmo até com seus companheiros de batalha mortos. Bastardos...
“Jason”, “Jason”, “Jason”. Alguém me chamava. Era Jack, um dos melhores homens que conheci nessa vida. Solidário, ajudava todos que podia, e fazia de tudo por seus companheiros de batalha. Sua esposa não queria que ele viesse aqui, no meio do tiroteio, mas ele insistiu. Afinal, um amigo não abandona o outro.
-Jason, me passa um cartucho!
-É meu último também!
-Cadê os outros?
Mortos. Eu sabia, ele sabia, mas ninguém queria acreditar. 4 pessoas mortas, porque Houser fez uma decisão estúpida. Aquele velho maldito! Quando voltar irei dar um soco no bastardo! Afinal, aqueles homens tinham famílias, e agora estão apodrecendo por aí. Esposa, filhos... muitas dessas pessoas depois da invasão só tinham umas as outras para contar.
-O que faremos?
-Eu... eu não sei.- respondi, estava com medo também. Não erámos tão sortudos como Paul e Kenny, e uma “última linha de ataque” ou qualquer coisa do tipo não iria fazer sucesso. Se saísse vivo dali, provavelmente sairia sem um braço, não com um pequeno estilhaço na perna.
-Jason, não sei... Não sei se vou aguentar. Eu estou com medo.
-Você irá aguentar, por seus filhos!
Eu nunca o vi assim, tremendo, sem ações. Era um tipo de homem que iria fazer o necessário a qualquer hora, reduzido a nada nesse momento. Caramba, deveríamos estar mesmo f*didos.
Um tiro deles acabou destruindo maior parte da parede que Jack usava de proteção. Jack então começou a correr, e eu, gastando minhas últimas balas, comecei atirar nos lagartos para proteger Jack. Não adiantou.
...
Seu corpo cai no chão. O tiro abriu um buraco gigantesco na cabeça de Jack, deformando-o. Naquele momento, duas crianças ficaram sem pai. Uma mulher ficou sem marido, e até mesmo Houser, o maldito que nos colocou nessa situação, estava sem um homem de honra em sua guarda.
-3 horas antes-
-Ele quer falar com você. –Paul, o maldito da vez. Houser adorava o filho da p*ta. Havia uma história antiga que aconteceu entre eles, mas pelo que eu sei essa história pode ser até que eles fizeram um filme pornô juntos. Nenhum dos caras que estavam lá falavam alguma coisa. O que aconteceu? Ninguém sabe, e pelo jeito ninguém saberá.
-Eu... tô indo.- Disse, com gosto azedo na boca. Nunca gostei do maldito sortudo. É claro, ele perdeu sua família que foi abduzida no começo da invasão, mas quem não perdeu? Quero dizer, isso foi uma tragédia para todos. Ele não foi o único que perdeu tudo, mas pelo menos agora ele é o “queridinho do apocalipse”. Talvez eu seja um bastardo amargo, um rabugento, mas não consigo aguentar a atitude "princesinha mimada” de Paul. Enfim, esqueci disso, e fui direto para a sala de Houser.
-Finalmente, você chegou-disse Houser- Estávamos esperando por você.
-Que droga você quer que eu faça?
-Quero que você e mais 5 homens vão até essa área e peguem todos os suprimentos que conseguirem.
-Essa área está cheia de lagartos!- respondi – Seremos massacrados!
-Não quero ouvir mais de suas reclamações! O lugar tem bons suprimentos e nós precisamos deles.
-Por que não manda Batman e Robin em vez da gente?
-Paul e Kenny estão se recuperando.
-Um pequeno pedaço de metal na perna, grande coisa!
-PARE DE RECLAMAR, JASON. EU SEI QUE VOCÊ NÃO GOSTA DAS MINHAS ESCOLHAS, MAS VOCÊ VAI OBEDECER, PORQUE SABE TANTO QUANTO EU QUE PRECISAMOS DA DROGA DOS SUPRIMENTOS! Agora... todos saiam, tem uma hora para se preparar.
-Relaxa, Jason nós vamos conseguir. –diz Jack, tentando me acalmar.
-Eu não sei não, todos aqueles que foram naquela região nunca voltaram.
-É porque não tinham você na equipe.
-É claro, porque isso sempre foi uma vantagem, certo?
-Hehe, faz sentido. Já falei e irei repetir, relaxa, iremos voltar a salvo. Agora com licença, irei ver minha família.
-Vou checar as latas-velhas.
E chequei as latas velhas. Uma picape e um volvo, carros úteis, não bonitos ou confortáveis. As Ferraris e Mercedes foram destruídas, seus recursos usados em outras coisas. Acho que foi melhor assim, ainda que sinto dó. Obras de artes não deveriam ser quebradas em pedacinhos.
Os outros 4 chegaram, armados até os dentes, como de costume. Eu gosto de ficar no básicão, com apenas uma metralhadora e uma pistola. Muitos não acreditam, mas preferia ficar sem arma nenhuma. Não, não é braveza, ou excesso de bolas, mas eu prefiro assim. Peso desnecessário. O velho maldito obrigava todos os soldados carregarem pelo menos uma metralhadora, mas tenho que dizer que pelo menos nisso eu concordo com ele. Ainda que ache armas uma coisa de metal inútil e impessoal, elas podem ser necessárias. O velho pelo menos tem um pouco de bom senso.
-E então Jason, e o motor dessas belezas?
-Uma porcaria, como sempre. Mas anda.
-Essa é a parte importante.
“Andar é a parte importante”. Todos os anos que gastamos em luxos descartáveis e que só servem para deixar nossa vida mais simples, jogados fora. Pelo menos uma coisa continuou: música. Uma velha fita.
Blue Moon.
Esperei Jack chegar. Estava com seu filho mais novo com ele. O desgraçado amava a família. Todo tempo que tinha entre missões ficava com sua mulher, Claire e seus dois filhos. Havia o boato que Jack é o cornudo da comunidade, mas eu conheci Claire, uma mulher que respeitava o casamento. Se fosse transar com outro homem, iria ter a decência de se separar de Jack primeiro. Mas é claro, pessoas lidam com algo com uma invasão alienígena de jeitos diferentes. Eu conheci alguém que literalmente f*deu até a morte. Era como se os bastardos voltassem aos seus instintos mais simples na hora do desespero. Não posso culpa-los. Eu já fiquei louco muitas vezes. Acho que aqueles com mente normal morreram nos primeiros dias, ou foram abduzidos. Todo o resto é pelo menos um pouco insano.
Todos entraram no carro. Os outros 4 no Volvo, eu e Jack na Picape. Cheiro de madeira ainda era forte, o dono antigo deveria ser lenhador. Porque diabos ele estava no meio de Nova York eu não sei. Pelo menos ele deixou um carro bem útil para a gente. É claro, agora o carro está com um cheiro de pólvora misturado com mofo. Aquela m*rda dá vontade de vomita. Enfim, coloquei a fita no carro e fomos seguindo o Volvo.
-Como vai seu filho?- perguntei. Sabia que a família de Jack era importante, e que falar deles o deixava calmo. A última coisa que precisamos é um marmanjo armado com tudo que tem direito nervoso. E acredite, situações como aquela deixavam as pessoas nervosas.
-Muito bem, o pequeno aprendou a escrever.
-Deve estar orgulhoso. É um grande passo, tenho que admitir. E o maior? Ele quebrou a perna, não?
-Sim, mas Karen cuidou bem dele.
-Cuidado, a vadia é perigosa. Ela cuida da ferida, mas você prefere que ela não faça isso. Um queimado que eu falei para ela cuidar e a maldita quase me fez querer botar uma bala naqueles peitos.
-Ela é uma boa médica. Meio descuidada, mas boa.
-Acho que sim...
Após 40 minutos de viagem estávamos chegando mais perto do local. Agora é a pior parte. Os lagartos estavam em quase todos os lugares. Prédios, casas, ruas, tudo. Até o momento estava tudo bem.
Então ouvi um bang.
E outro.
E outro.
E outro.
Estavam atirando! O Volvo estava quase perdendo o controle, batendo em carros estacionados na rua. Jack começou a atirar pela janela, tentando desviar a atenção dos lagartões. Não adiantou, os filhos da mãe continuaram a atirar. A porta da picape estava toda perfurada, mas os tiros não passaram. O carro é forte, eu digo isso. Eu estava perdendo o controle. CARAMBA! Não ia conseguir manter na rua. O pneu furado, a porta pendurada no lado. Tiros passando perto da minha cabeça. Eu estava quase surdo por causa das balas, mas conseguia ouvir uma coisa. Uma única coisa. Blue Moon.
Maldito Frank Sinatra.
Perdi o controle e bati no Volvo a frente. Tudo ficou escuro. Eu finalmente estava morto, após todo esse tempo resistindo, atirando e matando os lagartos eles finalmente me derrubaram. Desgraçados do espaço. Eu, um caipira no meio da selva de pedra, morrendo ao som de Frank Sinatra. Pelo menos foi uma morte com estilo.
Mas a morte não me queria. Ela me rejeitou, assim como as centenas de garotas antes dela. Não quis saber, me mandou de volta para o reino dos vivos, se é que você poderia considerar aquilo viver.
-Que momento para dormir, hein!
-Eu não...
-Pega a AK e começa a atirar!
Fui rastejando até a metralhadora. Os tiros passavam perto. A poeira que os tiros arrancavam do chão e parede chegavam nos meus olhos. Eu era literalmente um cego no meio do tiroteio. Cheguei na arma e segurei, desesperado. Levantei, zonzo e peguei proteção numa parede próxima dali. Atirei que nem um louco, sem me importar com munição ou p*rra nenhuma dessas. Devo ter acertado nada. Tinha uma granada no carro, agora virado ao contrário. Seria loucura sair correndo e simplesmente pegar, mas eu não tinha nenhum outro cartucho. Que se dane, já estou no inferno mesmo.
Corri, corri e corri. Os tiros passavam incrivelmente perto em mim, mas os lagartos não tinham a melhor mira. Cheguei perto do carro, peguei a granada, desesperadamente. Minha mão estava tremendo. Puxei o pino e joguei. A explosão foi gigantesca, deve ter alcançado gasolina ou coisa do tipo. Eu ouvi grunhidos de dentro da explosão. Eu consigo matar alguns. Bacon para o jantar. Toda a raiva, naquele momento foi liberada. Relaxei.
E Blue Moon, por algum milagre, continuava a tocar.
É claro, ainda tinham alguns desgraçados do espaço vivos, atirando na gente. Peguei proteção e comecei a atirar. Jack estava paralisado. Eu gritei:
-ATIRA!!ATIRA!!ATIRA!!
-TÔ SEM MUNIÇÃO. JASON,ME PASSA UM CARTUCHO.
-É MEU ÚLTIMO TAMBÉM!
-Cadê os outros caras?
Olhei de longe. Havia um corpo, decepado, de longe e outro destruído dentro do Volvo. Jack não viu. Então, de repente, a parede que Jack estava usando para se proteger dos tiros, é destruída. Ele então começa a correr e correr, e eu tentando lhe proteger. O que foi inútil. Um tiro na cabeça, que o desconfigurou completamente. O corpo, mais pesado naquele momento, caiu no chão. Eu pude sentir a vibração nos meus pés. Sua cabeça caiu olhando para mim. Ele olhou para mim. Eu sei que olhou. Com a última parte viva de seu corpo, ele olhou para mim, me culpando que eu não o protegi. Eu não dei cobertura suficiente. Se Houser não tivesse mandado a gente para lá ,mas para outro lugar, talvez eu desse cobertura suficiente. Isso, a morte de Jack foi culpa de Houser. Ele que mandou a gente lá. Foi isso, foi isso.
Corri desesperadamente. Um lagarto jogou uma granada, a explosão foi longe o suficiente para que nem mesmo estilhaços grandes chegassem. Mas ainda sim, queimou minhas costas. Uma ardência gigantesca. Não conseguia pensar. Não conseguia andar... Ah senhor... Imagem zonza... Ânsia de vômito... Ardência... Continuei correndo. Precisava tirar Houser do lugar de líder, precisava impedir que outros como Jack morressem. A dor não podia me impedir. Eu tinha que chegar no Volvo. Não seria uma lagartixa que comeu demais que iria me impedir. NÃO! EU IREI SOBREVIVER! POR JACK E OS OUTROS MORTOS.
Continua.
Capítulo 3
Spoiler:
If I can make it there.
I’ll make it everywhere.
Eu consegui. Eu sobrevivi. Cheguei ao Volvo, aquela droga de carro, agora cheirando a sangue. Um cheiro forte, bem mais forte do que tudo que já senti na vida. Isso pode ser explicado pelo corpo destruído no banco de passageiro. Um dos homens que vieram comigo, agora sem metade da face, o peito aberto por causa das balas e suas tripas caindo por um buraco na barriga. Eu não senti nojo. Não poderia, ou morreria.
Deixei o corpo de Jack para apodrecer lá atrás. Não era uma opção arrasta-lo para o carro. Isso iria me matar também. Mas que eu queria que ele tivesse um enterro digno, isso eu queria.
Ainda continua ardendo, mais e mais. A ferida, causada pela explosão. Não sei se vou conseguir com essa dor que estou sentindo. Não, não. Eu tenho que conseguir. EU TENHO. A morte de Jack será vingada, e o velho bastardo sairá da sua cadeirinha de chefe. Alguém que preste ficará no lugar. Alguém que não mande a p*rra de seus soldados NUMA MISSÃO SUÍCIDA.
-Mas que... –ouço um barulho. Algo atrás de mim. Então, uma explosão.
Os malditos não desistiram. Eles começaram a atirar no carro. O Volvo não é mais resistente do que a picape. Ou seja, estou f*dido. Tento manter o controle, mas já percebi que sou uma b*sta dirigindo sob fogo inimigo. O carro irá bater. E eu morrerei. E Houser... continuará no poder.
Isso não. Isso não.
Continuei levando o carro por mais tempo que conseguisse. Então, finalmente bati, mas antes da batida, pulei e fui rastejando para um dos prédios. Quase desmaio, já que a ardência nas costas fica cada vez pior. Mas não posso parar, não agora. Têm desgraçados controlando as pessoas, pessoas inocentes, e essas pessoas irão morrer se eles continuarem fazendo as decisões.
Subi as escadas. Não exatamente subir, mas rastejas o mais rápido possível. Quando cheguei no 3°andar, desisti, isso tem que dar. As fechaduras das portas estão enferrujadas, soltas. Fácil de quebrar. Assim, quebrei uma qualquer e entrei no apartamento. Um lugar sujo, com livros e revistas espalhadas no chão, uma TV quebrada, e muita água e comida enlatada no balcão da cozinha, que era conectada com a sala.
Fui até a pia e embaixo tinha álcool. Joguei sem dó na ferida. Ardia que nem o mijo do diabo, mas eu precisava fazer aquilo. Continuei andando pelo corredor. Uma porta estava aberta, e entrei nela. Um quarto de bebê, com vários ursos de pelúcia, e uma parede rosa, mas não totalmente pintada. Dava para ver as latas de tinta no chão. O pai ou tio estavam preparando o lugar para chegada da recém-nascida. O que aconteceu com eles? Foram mortos, abduzidos?
Sem tempo para pensar nessas bobagens. Esse quarto é apenas um local, sem vida, sem sentido. O que importa mesmo sou eu, e eu irei viver pelo menos o suficiente para que outros vivam.
“A janela” pensei. Olhei e vi que tinha um telhado menos de um andar abaixo daquele. Poderia pular sem morrer ou quebrar minhas pernas. Ou não poderia?
Ouvi um BAM na porta. P*rra, parece que finalmente vou descobrir.
Pulei e continuei andando. Sem ossos quebrados, sem nada do tipo. Parece que minha sorte estava mudando. Mas não estava, já que depois de invocar o Jet Li eu levei um tiro de raspão no braço. O suficiente para me derrubar.
Em um vão.
Cai num beco, e provavelmente está em um melhor estado do que era na época em que pessoas vivam ali. A dor agora não era apenas nas costas, ou no braço, mas também na perna, que provavelmente está fraturada ou coisa do tipo. Continuei correndo, então eu percebi que o lugar era familiar. Prédio despedaçado, armazém destruído e pequenas casas de subúrbio. Eu estava perto da escola.
Gritei por ajuda. Talvez tivesse alguém lá que poderia me escutar, mas os desgraçados pareciam um bando de surdos. Minha perna estava horrível, eu estava cambaleando e os lagartos vinham mais perto. Não conseguia andar mais, cai no chão. É isso, eu morri.
Mas a morte ainda não me queria. Ainda queria que eu ficasse. Ela queria Houser morto tanto quanto eu.
E eu vou MATAR Houser.
Ouvi tiros, mas não das lagartixas. Abri os olhos e vi que eram Paul e Kenny. Parece que a princesinha veio salvar o sapo... é claro, sem beijo nessa versão. Devem ter matado os lagartos ou pelo menos afugentado, porque então o tiroteio parou. Eu desmaiei.
Acordei na enfermaria, se você poderia chamar aquilo de enfermaria. Um lugar sujo, pequeno, com equipamento de péssima qualidade e possível o vírus da Ebola no meio. Olhei minha perna, e lá estava um gesso. Me perguntei de onde tiraram o gesso. Informação sem importância, acho ...
-Então, como está indo? –era Karen, a mulher mais macho daquele lugar.
-Bem, mas a droga das minhas costas continua ardendo.
-Isso passa. O que aconteceu lá? Onde estão os outros?
-Houser... o velho... o velho bastardo mandou a gente para uma missão suicida. Todos morreram seguindo a ordem do maldito.
-E você? Por que não morreu? Pelo que eu sei você é um desleixado filho da mãe, que morreria em 10 segundos num tiroteio.
Não poderia responder a verdade. Não poderia dizer que sobrevivi para tirar Houser do trono de rei da sucata. Ela era amiga do velho bastardo, afinal. Respondi:
-Sorte.
Paul entrou no lugar. O maldito estava fingindo de preocupado. O desgraçado não dá a mínima para as pessoas de lá. Pode dizer o contrário, que ele é importante para o grupo, mas não acredito. Na verdade, deve ter me salvado só para ganhar pontos com o velho.
-Como está? –perguntou, com um olhar cínico, maldito!
-Bem, quase morri, quebrei a droga da minha perna e vi 5 pessoas morrerem, mas bem.
-Eu irei avisar Claire sobre o marido dela.
-Não. Jack era meu amigo, não seu. Eu deveria avisar e vou. Só deixa... só deixa eu me recuperar.
-Tudo bem. Kenny está arrumando o funeral.
-Bom, bom.
Após um tempo sai de lá e fui procurar Claire. Ela estava em uma sala que era usada para ensinar as crianças. Acredito que era uma tentativa de deixar as coisas um pouco normais. Mas as crianças sabiam que aquela droga toda não era normal. Estávamos f*didos, e até as crianças sabiam disso.
-Claire - Chamei. A voz quase não saia da minha boca. Estava nervoso, tenso. Como poderia dar uma informação dessas para ela? O homem que ela amou, o pai de seus filhos, morto. E o pior de tudo é que as crianças estavam com ela. Eles chegavam mais e mais perto. E eu mais e mais tenso, suando frio.
-Olá Jason. Cadê Jack? Na enfermaria?
-É isso que eu queria dizer.
-Como assim? Você está me assustando. Esse olhar...
-Jack está morto.
-MORTO? Mas como assim? Como? Como? Você não protegeu ele? Por quê? Ah...
Ela começou a chorar. O mais velho começou a gritar que nem um alarme e saiu correndo. O pequeno, o pequeno não entendia o que estava acontecendo. O maldito me encarava. E continuou me encarando.
Claire sentou em uma cadeira próxima, em prantos. Estava arrasada.
-E agora Jason? O que eu irei fazer?
-Eu vou dar um tempo para “vocêis”.
-Meu Jack... meu Jack...
Sai de lá. Ela continuava a chorar e chorar. Estava arrasada.
Os outros 4. Mortos, assim como Jack. Outro 4 famílias que estão sem alguém. Essa m*rda foi muito grande. E eu, o único sem ninguém, vivo. Eu deveria morrer, já que ninguém iria chorar por minha morte. Diferente desses caras, que ao morrerem fizeram litros de lágrimas caírem. E o pior, nenhum deles voltou. Estão apodrecendo longe de suas famílias. Talvez sendo examinados pelos lagartos. Sem paz.
Fui dormir. Foi um dia muito longo.
-Pare de colocar a culpa em Houser. Você sabe que não foi ele. Foi você, você não me protegeu...
-Mentira, foi Houser, ele mandou a gente lá. Foi Houser... Eu não podia fazer nada, eu podia fazer nada...
Acordei. Fui escovar os dentes. O mínimo possível de água usada. Não podia gastar tanto nesses tempos em que a m*rda atingiu no ventilador. Caramba, tinha dias que nem podia tomar banho. Enfim, me arrumei e fui para o pátio.
Dia do funeral.
5 buracos, sem corpos nele. Hino americano tocando ao fundo enquanto 2 generais dobravam a bandeira.
“Whose broad stripes and bright stars, through the periloues fight,
Over the ramparts we watched so gallantly streaming?
And the rocket’s red glare, the bombs bursting in ar
Gave proof through the night that our flag was still there
Oh say! Does that star-spangled banner yet wave
Over the land of free and home of the brave?”
E Houser. Olhando por uma das janelas. Tão impessoal. Nem mesmo ir na droga do pátio para honrar a morte dos desgraçados ele ia. Ele sabe que é culpa dele e nem mesmo vem aqui para honrar. 5 HOMENS MORTOS! Homens de honra, pais de família, mortos por culpa dele. Não aguento mais. Saí dali. Não posso mais ver aquilo.
Fui onde guardavam o arsenal. Uma sala tão pequena e suja como as outras, só que com rifles no meio. Havia 7 homens lá, cuidando da munição e armas.
-Cara, você não vai lá não?
-Não posso aguentar. Houser condenou aqueles homens, e agora fica lá. Velho bastardo.
-Se Houser não mandasse você e os outros lá, teriam 5 homens vivos hoje! –diz outro homem.
-VERDADE! VERDADE! VERDADE! –diz o grupo. E então, percebi. Não era o único. Não era o único que via o verdadeiro Houser. Não era o único que via Houser além daquela faixada de homem bom e líder justo. Agora eu finalmente posso. Posso liberar o povo das garras do filho da mãe. Comecei a gritar:
-ESSE HOMEM IRÁ NOS DESTRUIR! MAS NÓS PODEMOS DESTRUIR ELE PRIMEIRO! PODEMOS IMPEDIR QUE OUTROS BONS HOMENS MORRAM! MEUS AMIGOS, PODEMOS SALVAR OS NOSSOS AMADOS QUE SOBREVIVERAM! VAMOS, VAMOS DERRUBA-LO!
Continua.


Última edição por VitorP1 em Qui 04 Abr 2013, 15:40, editado 3 vez(es)

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Re: Sem munição

Mensagem por Convidado em Sab 30 Mar 2013, 06:35

Vejamos.

Um gênero bastante comum, portanto, não gerou muita surpresa. Pelos acontecimentos aí presentes, parece que são dois adolescentes, mas como dois adolescentes arrumaram uma granada (eu sei, fim do mundo).
As coisas estão acontecendo de um jeito crível, mas está muito pequeno para um prólogo; E o que seria "piloto"? Seja lá o que for não bate com o prólogo.
A única coisa que decepciona aí, é o tamanho do prólogo. Veja bem, você escreveu tudo de uma forma bem interessante, então porque parar aí? Agora já era.

E o prólogo é muito importante, cara. O prólogo deve explicar todas as coisas que acontecem na história (e que acontecerão), o prólogo pode explicar a origem do personagem (ou não, caso esse seja o ponto chave). Enfim, o prólogo devia ser maior.

Fora tudo isso, a história está boa (digo, 6 de 10). É um gênero bem construtivo, então capriche no capitulo 1.

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Re: Sem munição

Mensagem por VitorP1 em Sab 30 Mar 2013, 06:44

Obrigado pela crítica Bravoler, na verdade os dois são adultos, isso vai ficar mais claro na frente.Agora sobre tamanho e explicar os personagens, estou arrumando no primeiro episódio. Na verdade, para evitar erros nos epísodios 2 para frente estou tentando tirar todos os problemas do prólogo e resolver tudo no 1. Espero que goste do resto.

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Re: Sem munição

Mensagem por Felipefabricio em Dom 31 Mar 2013, 02:21

Bom,gostei.Adoro essas histórias que "te jogam" no meio dela,e você descobre o que ocorre enquanto a trama se desenrola.

O gênero "Fim de Mundo" é até comum mesmo (Até eu estou escrevendo sobre isso,lol),mas até que combinou.Vou acompanhar \o




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Re: Sem munição

Mensagem por VitorP1 em Dom 31 Mar 2013, 15:44

Valeu ai pessoal, agora vou adicionar o capítulo 1, agora adicionando os personagens, mas depois do 2 vai melhorar bastante. O Bravoler mencionou que o prólogo foi feito para adicionar os personagens, bem eu pensei em fazer algo "James Bond" com uma explosiva sequência no começo e depois adicionando os personagens. Enfim, aí está:
Spoiler:

- QUE DOR!!!!
- O que quer que eu faça? Não podemos gastar morfina em algo tão pequeno.
-AHHHHH
-Já está saindo. Para de ser mulherzinha. Caramba, eu sou mais macho que você!
Só ela mesmo para me animar numa hora dessas. Karen, a médica. Seu cabelo negro, olhos verdes, rosto delicado, mas com um ar incrivelmente sério. Ainda sim, conseguia fazer piadas quase que em todos os momentos. Era até irritante, na verdade. Principalmente em momentos como esse, onde estou morrendo de dor.
-Viu só? Já saiu, nem doeu nem nada.
-Isso porque não foi sua perna!
-Foi apenas um pequeno estilhaço, um chute no saco dói mais.
-Como você saberia?- retruquei
-Acredite, eu sei.
Talvez ela soubesse. Passou por tanto nessa vida, viu quase tudo que alguém poderia ver. A cidade de Nova York, onde estamos no momento, era nada além de um ponto na lista de lugares para visitar na sua agendinha. É claro, depois de Paris, Tokyo... Prioridades primeiro, certo?
-Pode sair saltitando, como você sempre faz.
-Não com essa perna.
-Tá bom então princesa, quer um chá também enquanto fica deitada ai?
-Tudo bem, tudo bem, vou sair para dar espaço para a próxima pobre alma que vier aqui ser atendida por você.
Saí da pequena sala, com equipamentos de terceira qualidade, cheiro mal e apenas duas camas, nada mais. Deveria ser difícil trabalhar num lugar como esse, mas Karen fazia milagres.
-Como foi?-perguntou Kenny.
-Normal- respondi – Karen deveria ser açougueira em vez de médica.
-Nisso concordamos. Agora vem, o chefe quer nos ver.
Houser era um general durão, tinha sua própria base no deserto e tudo mais. Foi recrutado para trabalhar na evacuação da cidade de Nova York. As coisas não deram certo e agora ele está preso aqui, com a gente. Ele era um bom líder, apesar que muitas pessoas discordavam de suas escolhas. Eram tempos difíceis, e ele fazia decisões difíceis. Pelo menos era essa minha opinião. Muitos, é claro, discordavam. Jason principalmente, ele achava que Houser apenas tinha medo de avançar, que deveríamos fazer coisas diferentes. Mas como um bom soldado, Jason seguia as ordens de Houser, mesmo com uma cara feia.
Entramos no escritório. Houser está sentado enquanto um guarda-costas gigantesco com uma AK-47 fica em seu lado.
-O que aconteceu? –Ele pergunta, com sua voz calma e grossa. A idade era visível, as rugas tomavam conta do seu rosto e sua barriga de chopp era evidente. Seu cabelo era loiro e seus olhos azuis, um dia no passado deve ter sido um homem bonito.
-Fomos cercados- diz Kenny.
-Eles devem ter ouvido nosso barulho. - Completei.
-Deveriam ter sido silenciosos.
-Não era possível Houser, o lugar criava um eco dos infernos, mesmo se fossemos silenciosos como um ninja eles ainda iriam ouvir.
-Olha Paul eu te respeito, você salvou minha vida tempos atrás, mas isso não deveria ter acontecido. Você foi desleixado, perdemos munição e um granada por causa disso, além que vocês dois poderiam ter morrido!
-Não irá acontecer de novo.
-Espero que não. Agora saiam, tenho coisas mais importantes a fazer.
E assim fizemos. Respeitosamente, com as cabeças abaixadas, saímos.
-Acredita nesse cara? –Perguntou Kenny.
-Houser é um grande homem, respeite ele.
-Tudo bem, não precisa ficar nervoso.
-Não estou nervoso é que... passamos muita coisa junto.
Fomos ao pátio. O lugar era uma escola no subúrbio da “grande maçã”, um lugar onde riquinhos colocavam seus filhos para estudar. Era enorme, mas naqueles tempos era só uma sombra do que costumava ser. Suja, caindo aos pedaços, sem manutenção o lugar estava apodrecendo. Outra crítica à Houser. Os cidadãos acreditavam que o lugar precisava ser melhor cuidado, mas Houser tinha coisas mais importantes a fazer, como procurar comida.
No pátio haviam várias cadeiras e mesas, onde o pessoal se juntava para comer. Chegamos tarde no dia, já que tivemos que conversar com Houser. A comida já estava acabando, mas conseguimos um restinho. Arroz e feijão, da pior qualidade. Ainda que naquele dia era comida fresca, geralmente comíamos até ficar podre, já que comida é algo importante e não podemos mais esnobar.
Foi uma refeição agradável, quem diria. Kenny parecia tenso, talvez por causa da última noite. Com certeza foi uma situação tensa. Mas ainda sim, não parecia motivo de tanta preocupação. Talvez Kenny estivesse ficando louco, afinal. Todos sabíamos que em um tempo como esses, pessoas não costumavam ficar na melhor... paz de espírito.
-Ainda com seus planos loucos? –Ele pergunta
-Sim.
-Eles se foram cara. Todo mundo aqui perderam seus entes queridos- Kenny responde. Ele sabe que não irei desistir, mas continua tentando.
-Me desculpa, mas não irei parar de procurar por eles, os malditos estão com minha mulher e filho, e eu irei salvá-los.
Continua.

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Re: Sem munição

Mensagem por Convidado em Dom 31 Mar 2013, 16:30

Então.

1- Você está misturando linguagem vulgar com linguagem culta. Fica muito estranho, principalmente pelo fato de todos os personagem parecerem ter a mesma "cultura" digamos assim. Digo, eles falam da mesma forma (quando leio imagino a voz dos personagens, e alternando entre a narração e as falas, na minha cabeça, só consegui pensar em uma voz). Não sei se esse é seu estilo, mas não ficou legal. Você está se preocupando com palavras bonitas, mas você as suja com uma pancada de gírias. Exemplos: "Foi apenas um pequeno estilhaço, um chute no saco dói mais." [eu trocaria "saco" por "no meio das pernas"], "Não era possível Houser, o lugar criava um eco dos infernos, mesmo se fossemos silenciosos como um ninja eles ainda iriam ouvir." [esse "dos infernos", poderia ser trocado por "muito grande" ou "enorme", entre outros do tipo].
Não chamei a atenção para a narração, pois aí é o seu jeito de falar (o eu-lírico). Mas nas falas dos personagens, tem que alterar o nível de palavras, alterando por gírias, palavras cultas, palavras macabras, etc.. E é estranho pensar que alguém agindo assim e falando assim seja um adulto, ainda consigo ver vestígios de adolescente.

2- Eu sei que em momentos de falta de criatividade é normal apelar para a comédia, mas isso:
Spoiler:
-Viu só? Já saiu, nem doeu nem nada.(mulher)
-Isso porque não foi sua perna!
-Foi apenas um pequeno estilhaço, um chute no saco dói mais.(mulher)
-Como você saberia?- retruquei
-Acredite, eu sei.(mulher)
Você não pode se esquecer que mesmo sendo piadas, ainda sim fazem parte da história, então cuidado.

3- No mais melhorou um pouco (um pouco). Foi bom você ter adicionado diálogos, mas a história ainda ficou meio tediosa {meio? qual é Bravoler cai de pau em cima dele}. Eu consegui notar uma melhora.

4- E uma dica. Antes de postar, leia você a história. Leia várias vezes, se você se entediar na antes da quinta vez... pense de novo. {refaça} [cale a boca]

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Re: Sem munição

Mensagem por Felipefabricio em Dom 31 Mar 2013, 21:14

Gostei.Adorei o fim,não imaginava que o cara fosse casado.Acho que teremos muitas surpresas por aí...Estou acompanhando \O




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Re: Sem munição

Mensagem por VitorP1 em Dom 31 Mar 2013, 21:33

Valeu ai pelo feedback pessoal. Sobre o fato de eu misturar linguagem culta e coloquial, realmente eu faço isso mesmo, vou tentar parar é meu vicio de linguagem. Sobre a piada, enfim eu queria mostrar isso como se a Karen fosse uma personagem bruta, muitas vezes com humor chulo. Com o tempo e citações de outros personagens sobre ela você irá perceber que ela foi feita para ser assim, uma bruta. Agora eu vi que os personagens estão mesmo com o estilo de fala "parecido". Com o novo capítulo tento parar com isso, adicionando até mesmo um personagem bruto, violento e com falas idiotas mesmo, assim como a Karen (eles foram feitos para ser assim mesmo). Enfim, o novo capítulo adiciona o verdadeiro "plot" da história, ainda que seja o começo. Espero que gostem.
Spoiler:
-ATIRA!!ATIRA!!ATIRA!!
-TÔ SEM MUNIÇÃO!
“Tá de brincadeira” pensei. Estávamos cercados por aqueles “lagartos”. “Eles”, os lagartos, chegaram em nosso planeta e começaram a destruir tudo que viam, mas por algum motivo, não matavam todos. Os indefesos eram levados para alguma de suas naves. Por quê? Não sei. O fato que mais me surpreendeu quando os vi, era que sua tecnologia não era tão avançada quanto a nossa. Caramba, usavam as mesmas armas! Os filhos da p*ta procuravam nos corpos de meus companheiros munição e qualquer coisa útil. Sem remorso, faziam o mesmo até com seus companheiros de batalha mortos. Bastardos...
“Jason”, “Jason”, “Jason”. Alguém me chamava. Era Jack, um dos melhores homens que conheci nessa vida. Solidário, ajudava todos que podia, e fazia de tudo por seus companheiros de batalha. Sua esposa não queria que ele viesse aqui, no meio do tiroteio, mas ele insistiu. Afinal, um amigo não abandona o outro.
-Jason, me passa um cartucho!
-É meu último também!
-Cadê os outros?
Mortos. Eu sabia, ele sabia, mas ninguém queria acreditar. 4 pessoas mortas, porque Houser fez uma decisão estúpida. Aquele velho maldito! Quando voltar irei dar um soco no bastardo! Afinal, aqueles homens tinham famílias, e agora estão apodrecendo por aí. Esposa, filhos... muitas dessas pessoas depois da invasão só tinham umas as outras para contar.
-O que faremos?
-Eu... eu não sei.- respondi, estava com medo também. Não erámos tão sortudos como Paul e Kenny, e uma “última linha de ataque” ou qualquer coisa do tipo não iria fazer sucesso. Se saísse vivo dali, provavelmente sairia sem um braço, não com um pequeno estilhaço na perna.
-Jason, não sei... Não sei se vou aguentar. Eu estou com medo.
-Você irá aguentar, por seus filhos!
Eu nunca o vi assim, tremendo, sem ações. Era um tipo de homem que iria fazer o necessário a qualquer hora, reduzido a nada nesse momento. Caramba, deveríamos estar mesmo f*didos.
Um tiro deles acabou destruindo maior parte da parede que Jack usava de proteção. Jack então começou a correr, e eu, gastando minhas últimas balas, comecei atirar nos lagartos para proteger Jack. Não adiantou.
...
Seu corpo cai no chão. O tiro abriu um buraco gigantesco na cabeça de Jack, deformando-o. Naquele momento, duas crianças ficaram sem pai. Uma mulher ficou sem marido, e até mesmo Houser, o maldito que nos colocou nessa situação, estava sem um homem de honra em sua guarda.
-3 horas antes-
-Ele quer falar com você. –Paul, o maldito da vez. Houser adorava o filho da p*ta. Havia uma história antiga que aconteceu entre eles, mas pelo que eu sei essa história pode ser até que eles fizeram um filme pornô juntos. Nenhum dos caras que estavam lá falavam alguma coisa. O que aconteceu? Ninguém sabe, e pelo jeito ninguém saberá.
-Eu... tô indo.- Disse, com gosto azedo na boca. Nunca gostei do maldito sortudo. É claro, ele perdeu sua família que foi abduzida no começo da invasão, mas quem não perdeu? Quero dizer, isso foi uma tragédia para todos. Ele não foi o único que perdeu tudo, mas pelo menos agora ele é o “queridinho do apocalipse”. Talvez eu seja um bastardo amargo, um rabugento, mas não consigo aguentar a atitude "princesinha mimada” de Paul. Enfim, esqueci disso, e fui direto para a sala de Houser.
-Finalmente, você chegou-disse Houser- Estávamos esperando por você.
-Que droga você quer que eu faça?
-Quero que você e mais 5 homens vão até essa área e peguem todos os suprimentos que conseguirem.
-Essa área está cheia de lagartos!- respondi – Seremos massacrados!
-Não quero ouvir mais de suas reclamações! O lugar tem bons suprimentos e nós precisamos deles.
-Por que não manda Batman e Robin em vez da gente?
-Paul e Kenny estão se recuperando.
-Um pequeno pedaço de metal na perna, grande coisa!
-PARE DE RECLAMAR, JASON. EU SEI QUE VOCÊ NÃO GOSTA DAS MINHAS ESCOLHAS, MAS VOCÊ VAI OBEDECER, PORQUE SABE TANTO QUANTO EU QUE PRECISAMOS DA DROGA DOS SUPRIMENTOS! Agora... todos saiam, tem uma hora para se preparar.
-Relaxa, Jason nós vamos conseguir. –diz Jack, tentando me acalmar.
-Eu não sei não, todos aqueles que foram naquela região nunca voltaram.
-É porque não tinham você na equipe.
-É claro, porque isso sempre foi uma vantagem, certo?
-Hehe, faz sentido. Já falei e irei repetir, relaxa, iremos voltar a salvo. Agora com licença, irei ver minha família.
-Vou checar as latas-velhas.
E chequei as latas velhas. Uma picape e um volvo, carros úteis, não bonitos ou confortáveis. As Ferraris e Mercedes foram destruídas, seus recursos usados em outras coisas. Acho que foi melhor assim, ainda que sinto dó. Obras de artes não deveriam ser quebradas em pedacinhos.
Os outros 4 chegaram, armados até os dentes, como de costume. Eu gosto de ficar no básicão, com apenas uma metralhadora e uma pistola. Muitos não acreditam, mas preferia ficar sem arma nenhuma. Não, não é braveza, ou excesso de bolas, mas eu prefiro assim. Peso desnecessário. O velho maldito obrigava todos os soldados carregarem pelo menos uma metralhadora, mas tenho que dizer que pelo menos nisso eu concordo com ele. Ainda que ache armas uma coisa de metal inútil e impessoal, elas podem ser necessárias. O velho pelo menos tem um pouco de bom senso.
-E então Jason, e o motor dessas belezas?
-Uma porcaria, como sempre. Mas anda.
-Essa é a parte importante.
“Andar é a parte importante”. Todos os anos que gastamos em luxos descartáveis e que só servem para deixar nossa vida mais simples, jogados fora. Pelo menos uma coisa continuou: música. Uma velha fita.
Blue Moon.
Esperei Jack chegar. Estava com seu filho mais novo com ele. O desgraçado amava a família. Todo tempo que tinha entre missões ficava com sua mulher, Claire e seus dois filhos. Havia o boato que Jack é o cornudo da comunidade, mas eu conheci Claire, uma mulher que respeitava o casamento. Se fosse transar com outro homem, iria ter a decência de se separar de Jack primeiro. Mas é claro, pessoas lidam com algo com uma invasão alienígena de jeitos diferentes. Eu conheci alguém que literalmente f*deu até a morte. Era como se os bastardos voltassem aos seus instintos mais simples na hora do desespero. Não posso culpa-los. Eu já fiquei louco muitas vezes. Acho que aqueles com mente normal morreram nos primeiros dias, ou foram abduzidos. Todo o resto é pelo menos um pouco insano.
Todos entraram no carro. Os outros 4 no Volvo, eu e Jack na Picape. Cheiro de madeira ainda era forte, o dono antigo deveria ser lenhador. Porque diabos ele estava no meio de Nova York eu não sei. Pelo menos ele deixou um carro bem útil para a gente. É claro, agora o carro está com um cheiro de pólvora misturado com mofo. Aquela m*rda dá vontade de vomita. Enfim, coloquei a fita no carro e fomos seguindo o Volvo.
-Como vai seu filho?- perguntei. Sabia que a família de Jack era importante, e que falar deles o deixava calmo. A última coisa que precisamos é um marmanjo armado com tudo que tem direito nervoso. E acredite, situações como aquela deixavam as pessoas nervosas.
-Muito bem, o pequeno aprendou a escrever.
-Deve estar orgulhoso. É um grande passo, tenho que admitir. E o maior? Ele quebrou a perna, não?
-Sim, mas Karen cuidou bem dele.
-Cuidado, a vadia é perigosa. Ela cuida da ferida, mas você prefere que ela não faça isso. Um queimado que eu falei para ela cuidar e a maldita quase me fez querer botar uma bala naqueles peitos.
-Ela é uma boa médica. Meio descuidada, mas boa.
-Acho que sim...
Após 40 minutos de viagem estávamos chegando mais perto do local. Agora é a pior parte. Os lagartos estavam em quase todos os lugares. Prédios, casas, ruas, tudo. Até o momento estava tudo bem.
Então ouvi um bang.
E outro.
E outro.
E outro.
Estavam atirando! O Volvo estava quase perdendo o controle, batendo em carros estacionados na rua. Jack começou a atirar pela janela, tentando desviar a atenção dos lagartões. Não adiantou, os filhos da mãe continuaram a atirar. A porta da picape estava toda perfurada, mas os tiros não passaram. O carro é forte, eu digo isso. Eu estava perdendo o controle. CARAMBA! Não ia conseguir manter na rua. O pneu furado, a porta pendurada no lado. Tiros passando perto da minha cabeça. Eu estava quase surdo por causa das balas, mas conseguia ouvir uma coisa. Uma única coisa. Blue Moon.
Maldito Frank Sinatra.
Perdi o controle e bati no Volvo a frente. Tudo ficou escuro. Eu finalmente estava morto, após todo esse tempo resistindo, atirando e matando os lagartos eles finalmente me derrubaram. Desgraçados do espaço. Eu, um caipira no meio da selva de pedra, morrendo ao som de Frank Sinatra. Pelo menos foi uma morte com estilo.
Mas a morte não me queria. Ela me rejeitou, assim como as centenas de garotas antes dela. Não quis saber, me mandou de volta para o reino dos vivos, se é que você poderia considerar aquilo viver.
-Que momento para dormir, hein!
-Eu não...
-Pega a AK e começa a atirar!
Fui rastejando até a metralhadora. Os tiros passavam perto. A poeira que os tiros arrancavam do chão e parede chegavam nos meus olhos. Eu era literalmente um cego no meio do tiroteio. Cheguei na arma e segurei, desesperado. Levantei, zonzo e peguei proteção numa parede próxima dali. Atirei que nem um louco, sem me importar com munição ou p*rra nenhuma dessas. Devo ter acertado nada. Tinha uma granada no carro, agora virado ao contrário. Seria loucura sair correndo e simplesmente pegar, mas eu não tinha nenhum outro cartucho. Que se dane, já estou no inferno mesmo.
Corri, corri e corri. Os tiros passavam incrivelmente perto em mim, mas os lagartos não tinham a melhor mira. Cheguei perto do carro, peguei a granada, desesperadamente. Minha mão estava tremendo. Puxei o pino e joguei. A explosão foi gigantesca, deve ter alcançado gasolina ou coisa do tipo. Eu ouvi grunhidos de dentro da explosão. Eu consigo matar alguns. Bacon para o jantar. Toda a raiva, naquele momento foi liberada. Relaxei.
E Blue Moon, por algum milagre, continuava a tocar.
É claro, ainda tinham alguns desgraçados do espaço vivos, atirando na gente. Peguei proteção e comecei a atirar. Jack estava paralisado. Eu gritei:
-ATIRA!!ATIRA!!ATIRA!!
-TÔ SEM MUNIÇÃO. JASON,ME PASSA UM CARTUCHO.
-É MEU ÚLTIMO TAMBÉM!
-Cadê os outros caras?
Olhei de longe. Havia um corpo, decepado, de longe e outro destruído dentro do Volvo. Jack não viu. Então, de repente, a parede que Jack estava usando para se proteger dos tiros, é destruída. Ele então começa a correr e correr, e eu tentando lhe proteger. O que foi inútil. Um tiro na cabeça, que o desconfigurou completamente. O corpo, mais pesado naquele momento, caiu no chão. Eu pude sentir a vibração nos meus pés. Sua cabeça caiu olhando para mim. Ele olhou para mim. Eu sei que olhou. Com a última parte viva de seu corpo, ele olhou para mim, me culpando que eu não o protegi. Eu não dei cobertura suficiente. Se Houser não tivesse mandado a gente para lá ,mas para outro lugar, talvez eu desse cobertura suficiente. Isso, a morte de Jack foi culpa de Houser. Ele que mandou a gente lá. Foi isso, foi isso.
Corri desesperadamente. Um lagarto jogou uma granada, a explosão foi longe o suficiente para que nem mesmo estilhaços grandes chegassem. Mas ainda sim, queimou minhas costas. Uma ardência gigantesca. Não conseguia pensar. Não conseguia andar... Ah senhor... Imagem zonza... Ânsia de vômito... Ardência... Continuei correndo. Precisava tirar Houser do lugar de líder, precisava impedir que outros como Jack morressem. A dor não podia me impedir. Eu tinha que chegar no Volvo. Não seria uma lagartixa que comeu demais que iria me impedir. NÃO! EU IREI SOBREVIVER! POR JACK E OS OUTROS MORTOS.
Continua.

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Re: Sem munição

Mensagem por Convidado em Seg 01 Abr 2013, 08:34

Grande melhora!

Alguns erros de concordância aqui, alguns erros ortográficos ali. Mas fora isso foi uma grande melhora. Pode melhorar mais, mas agora sim você expressou o que é uma guerra semi-apocaliptica .

E na parte que volta 3 hora e depois volta. Quando volta, você poderia deixar claro que voltou. Mas deu para entender.

Mas foi uma grande melhora mesmo.



Dica:

1- Você poderia narrar de forma culta. E durante os diálogos de forma coloquial (se necessário).

2- Os palavrões poderiam ficar mais bem colocados. Em uma guerra dessas eu xingaria muito.

3- Descreva mais as coisas. Escolha bem as palavras.

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Re: Sem munição

Mensagem por VitorP1 em Seg 01 Abr 2013, 13:27

OBRIGADO. Eu iria esperar um pouco mas um elogio do Bravoler merece uma resposta rápida, já que é tão raro. Eu percebi que eu realmente não descrevo direito, o que é esquisito já que tento fazer algo mais calmo, diferente da ação desenfreada do Felipe, por exemplo. Sobre narrar de forma culta, eu tentei fazer coloquial esse episódio mesmo, já que é narrado por Jason, que não é nada culto (diferente de Paul, por exemplo). Enfim, obrigado e continue lendo!

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Re: Sem munição

Mensagem por VitorP1 em Qui 04 Abr 2013, 15:39

PS: Eu sei que não é permitido double post mas espero que possa usar uma exceção, já que estou tentando postar meu novo capítulo. Se um moderador quiser unir com o anterior está tudo bem por mim.
Enfim, novo capítulo:
Spoiler:
If I can make it there.
I’ll make it everywhere.
Eu consegui. Eu sobrevivi. Cheguei ao Volvo, aquela droga de carro, agora cheirando a sangue. Um cheiro forte, bem mais forte do que tudo que já senti na vida. Isso pode ser explicado pelo corpo destruído no banco de passageiro. Um dos homens que vieram comigo, agora sem metade da face, o peito aberto por causa das balas e suas tripas caindo por um buraco na barriga. Eu não senti nojo. Não poderia, ou morreria.
Deixei o corpo de Jack para apodrecer lá atrás. Não era uma opção arrasta-lo para o carro. Isso iria me matar também. Mas que eu queria que ele tivesse um enterro digno, isso eu queria.
Ainda continua ardendo, mais e mais. A ferida, causada pela explosão. Não sei se vou conseguir com essa dor que estou sentindo. Não, não. Eu tenho que conseguir. EU TENHO. A morte de Jack será vingada, e o velho bastardo sairá da sua cadeirinha de chefe. Alguém que preste ficará no lugar. Alguém que não mande a p*rra de seus soldados NUMA MISSÃO SUÍCIDA.
-Mas que... –ouço um barulho. Algo atrás de mim. Então, uma explosão.
Os malditos não desistiram. Eles começaram a atirar no carro. O Volvo não é mais resistente do que a picape. Ou seja, estou f*dido. Tento manter o controle, mas já percebi que sou uma b*sta dirigindo sob fogo inimigo. O carro irá bater. E eu morrerei. E Houser... continuará no poder.
Isso não. Isso não.
Continuei levando o carro por mais tempo que conseguisse. Então, finalmente bati, mas antes da batida, pulei e fui rastejando para um dos prédios. Quase desmaio, já que a ardência nas costas fica cada vez pior. Mas não posso parar, não agora. Têm desgraçados controlando as pessoas, pessoas inocentes, e essas pessoas irão morrer se eles continuarem fazendo as decisões.
Subi as escadas. Não exatamente subir, mas rastejas o mais rápido possível. Quando cheguei no 3°andar, desisti, isso tem que dar. As fechaduras das portas estão enferrujadas, soltas. Fácil de quebrar. Assim, quebrei uma qualquer e entrei no apartamento. Um lugar sujo, com livros e revistas espalhadas no chão, uma TV quebrada, e muita água e comida enlatada no balcão da cozinha, que era conectada com a sala.
Fui até a pia e embaixo tinha álcool. Joguei sem dó na ferida. Ardia que nem o mijo do diabo, mas eu precisava fazer aquilo. Continuei andando pelo corredor. Uma porta estava aberta, e entrei nela. Um quarto de bebê, com vários ursos de pelúcia, e uma parede rosa, mas não totalmente pintada. Dava para ver as latas de tinta no chão. O pai ou tio estavam preparando o lugar para chegada da recém-nascida. O que aconteceu com eles? Foram mortos, abduzidos?
Sem tempo para pensar nessas bobagens. Esse quarto é apenas um local, sem vida, sem sentido. O que importa mesmo sou eu, e eu irei viver pelo menos o suficiente para que outros vivam.
“A janela” pensei. Olhei e vi que tinha um telhado menos de um andar abaixo daquele. Poderia pular sem morrer ou quebrar minhas pernas. Ou não poderia?
Ouvi um BAM na porta. P*rra, parece que finalmente vou descobrir.
Pulei e continuei andando. Sem ossos quebrados, sem nada do tipo. Parece que minha sorte estava mudando. Mas não estava, já que depois de invocar o Jet Li eu levei um tiro de raspão no braço. O suficiente para me derrubar.
Em um vão.
Cai num beco, e provavelmente está em um melhor estado do que era na época em que pessoas vivam ali. A dor agora não era apenas nas costas, ou no braço, mas também na perna, que provavelmente está fraturada ou coisa do tipo. Continuei correndo, então eu percebi que o lugar era familiar. Prédio despedaçado, armazém destruído e pequenas casas de subúrbio. Eu estava perto da escola.
Gritei por ajuda. Talvez tivesse alguém lá que poderia me escutar, mas os desgraçados pareciam um bando de surdos. Minha perna estava horrível, eu estava cambaleando e os lagartos vinham mais perto. Não conseguia andar mais, cai no chão. É isso, eu morri.
Mas a morte ainda não me queria. Ainda queria que eu ficasse. Ela queria Houser morto tanto quanto eu.
E eu vou MATAR Houser.
Ouvi tiros, mas não das lagartixas. Abri os olhos e vi que eram Paul e Kenny. Parece que a princesinha veio salvar o sapo... é claro, sem beijo nessa versão. Devem ter matado os lagartos ou pelo menos afugentado, porque então o tiroteio parou. Eu desmaiei.
Acordei na enfermaria, se você poderia chamar aquilo de enfermaria. Um lugar sujo, pequeno, com equipamento de péssima qualidade e possível o vírus da Ebola no meio. Olhei minha perna, e lá estava um gesso. Me perguntei de onde tiraram o gesso. Informação sem importância, acho ...
-Então, como está indo? –era Karen, a mulher mais macho daquele lugar.
-Bem, mas a droga das minhas costas continua ardendo.
-Isso passa. O que aconteceu lá? Onde estão os outros?
-Houser... o velho... o velho bastardo mandou a gente para uma missão suicida. Todos morreram seguindo a ordem do maldito.
-E você? Por que não morreu? Pelo que eu sei você é um desleixado filho da mãe, que morreria em 10 segundos num tiroteio.
Não poderia responder a verdade. Não poderia dizer que sobrevivi para tirar Houser do trono de rei da sucata. Ela era amiga do velho bastardo, afinal. Respondi:
-Sorte.
Paul entrou no lugar. O maldito estava fingindo de preocupado. O desgraçado não dá a mínima para as pessoas de lá. Pode dizer o contrário, que ele é importante para o grupo, mas não acredito. Na verdade, deve ter me salvado só para ganhar pontos com o velho.
-Como está? –perguntou, com um olhar cínico, maldito!
-Bem, quase morri, quebrei a droga da minha perna e vi 5 pessoas morrerem, mas bem.
-Eu irei avisar Claire sobre o marido dela.
-Não. Jack era meu amigo, não seu. Eu deveria avisar e vou. Só deixa... só deixa eu me recuperar.
-Tudo bem. Kenny está arrumando o funeral.
-Bom, bom.
Após um tempo sai de lá e fui procurar Claire. Ela estava em uma sala que era usada para ensinar as crianças. Acredito que era uma tentativa de deixar as coisas um pouco normais. Mas as crianças sabiam que aquela droga toda não era normal. Estávamos f*didos, e até as crianças sabiam disso.
-Claire - Chamei. A voz quase não saia da minha boca. Estava nervoso, tenso. Como poderia dar uma informação dessas para ela? O homem que ela amou, o pai de seus filhos, morto. E o pior de tudo é que as crianças estavam com ela. Eles chegavam mais e mais perto. E eu mais e mais tenso, suando frio.
-Olá Jason. Cadê Jack? Na enfermaria?
-É isso que eu queria dizer.
-Como assim? Você está me assustando. Esse olhar...
-Jack está morto.
-MORTO? Mas como assim? Como? Como? Você não protegeu ele? Por quê? Ah...
Ela começou a chorar. O mais velho começou a gritar que nem um alarme e saiu correndo. O pequeno, o pequeno não entendia o que estava acontecendo. O maldito me encarava. E continuou me encarando.
Claire sentou em uma cadeira próxima, em prantos. Estava arrasada.
-E agora Jason? O que eu irei fazer?
-Eu vou dar um tempo para “vocêis”.
-Meu Jack... meu Jack...
Sai de lá. Ela continuava a chorar e chorar. Estava arrasada.
Os outros 4. Mortos, assim como Jack. Outro 4 famílias que estão sem alguém. Essa m*rda foi muito grande. E eu, o único sem ninguém, vivo. Eu deveria morrer, já que ninguém iria chorar por minha morte. Diferente desses caras, que ao morrerem fizeram litros de lágrimas caírem. E o pior, nenhum deles voltou. Estão apodrecendo longe de suas famílias. Talvez sendo examinados pelos lagartos. Sem paz.
Fui dormir. Foi um dia muito longo.
-Pare de colocar a culpa em Houser. Você sabe que não foi ele. Foi você, você não me protegeu...
-Mentira, foi Houser, ele mandou a gente lá. Foi Houser... Eu não podia fazer nada, eu podia fazer nada...
Acordei. Fui escovar os dentes. O mínimo possível de água usada. Não podia gastar tanto nesses tempos em que a m*rda atingiu no ventilador. Caramba, tinha dias que nem podia tomar banho. Enfim, me arrumei e fui para o pátio.
Dia do funeral.
5 buracos, sem corpos nele. Hino americano tocando ao fundo enquanto 2 generais dobravam a bandeira.
“Whose broad stripes and bright stars, through the periloues fight,
Over the ramparts we watched so gallantly streaming?
And the rocket’s red glare, the bombs bursting in ar
Gave proof through the night that our flag was still there
Oh say! Does that star-spangled banner yet wave
Over the land of free and home of the brave?”
E Houser. Olhando por uma das janelas. Tão impessoal. Nem mesmo ir na droga do pátio para honrar a morte dos desgraçados ele ia. Ele sabe que é culpa dele e nem mesmo vem aqui para honrar. 5 HOMENS MORTOS! Homens de honra, pais de família, mortos por culpa dele. Não aguento mais. Saí dali. Não posso mais ver aquilo.
Fui onde guardavam o arsenal. Uma sala tão pequena e suja como as outras, só que com rifles no meio. Havia 7 homens lá, cuidando da munição e armas.
-Cara, você não vai lá não?
-Não posso aguentar. Houser condenou aqueles homens, e agora fica lá. Velho bastardo.
-Se Houser não mandasse você e os outros lá, teriam 5 homens vivos hoje! –diz outro homem.
-VERDADE! VERDADE! VERDADE! –diz o grupo. E então, percebi. Não era o único. Não era o único que via o verdadeiro Houser. Não era o único que via Houser além daquela faixada de homem bom e líder justo. Agora eu finalmente posso. Posso liberar o povo das garras do filho da mãe. Comecei a gritar:
-ESSE HOMEM IRÁ NOS DESTRUIR! MAS NÓS PODEMOS DESTRUIR ELE PRIMEIRO! PODEMOS IMPEDIR QUE OUTROS BONS HOMENS MORRAM! MEUS AMIGOS, PODEMOS SALVAR OS NOSSOS AMADOS QUE SOBREVIVERAM! VAMOS, VAMOS DERRUBA-LO!
Continua.

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Re: Sem munição

Mensagem por Felipefabricio em Sex 05 Abr 2013, 21:57

WOW!Incrível.Reparei que a sua história é mais "dramática",a minha sei lá,tem mais tons de comédia,sem drama,hm

Ansioso pelos próximos capítulos!




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Re: Sem munição

Mensagem por Convidado em Sab 13 Abr 2013, 14:44

Só porque eu disse grande melhora, não quer dizer que está bom.

E esse novo capítulo as coisas só pioram. A coisa tá branca pro tu lado cara.

Essa história está horrível.

Eu sei que escrevendo a sensação é de que a história está boa, mas, a essa história está horrível. É melhor você relaxar e criar uma outra história. Ou melhore essa.

E uma dica:

Aceite ajuda de alguém. Peça ajuda para alguém.

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Re: Sem munição

Mensagem por Felipefabricio em Sab 13 Abr 2013, 14:57

Bravoler escreveu:Só porque eu disse grande melhora, não quer dizer que está bom.

E esse novo capítulo as coisas só pioram. A coisa tá branca pro tu lado cara.

Essa história está horrível.

Eu sei que escrevendo a sensação é de que a história está boa, mas, a essa história está horrível. É melhor você relaxar e criar uma outra história. Ou melhore essa.

E uma dica:

Aceite ajuda de alguém. Peça ajuda para alguém.

Cada um tem sua opinião.Não sou nenhum crítico,pra mim ela está bem boa.

E discordo de quando você diz que ele deve abandonar a história.Quando uma história está ruim,eu continuo ela.Ela pode melhorar no futuro.Sou da opinião que sim,você deve continuar o seu roteiro.Se fosse assim,eu já tinha desistido do meu há eras. Wink




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Re: Sem munição

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